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Onde queremos chegar com a restauração?

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por Ricardo Cesar*
A palavra restauração foi utilizada em diversos contextos antes da ecologia, e é definida como “uma ação de fazer com que algo volte ao seu estado anterior”. Enquanto ‘voltar a um estado anterior’ é de certa forma possível em monumentos e obras históricas, a aplicação da restauração para ecossistemas é muito mais complexa, já que estes estão em constante  mudança. Nos seus primórdios, a restauração ecológica tinha como objetivo replicar ecossistemas do passado, trazer de volta todas as mesmas espécies e formas de vida que haviam ali anteriormente. No entanto surgiram questões conceituais e práticas sobre este objetivo conforme a restauração amadureceu como ciência, especialmente pela dificuldade em recuperar a complexidade de estrutura, composição e interação das florestas tropicais.
Por exemplo, o ambiente onde a restauração florestal é realizada não é o mesmo ambiente em que a floresta original se desenvolveu no passado. O ambiente aberto das áreas em restauração ge…

Editorial: Blog NewFor?

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por Equipe NewFor*
A ideia da criação de um blog para o NewFor (New Forests) surgiu da necessidade de haver um espaço para que seus membros e convidados pudessem se expressar de maneira livre sobre uma pluralidade de assuntos à sua escolha, como projetos, vivências, opiniões políticas, entre outros . Os temas publicados estão relacionados, de maneira geral, a conservação, restauração e produção de florestas no Brasil com textos escritos por pesquisadores, pós-graduandos, bolsistas de treinamento técnicos e graduandos. Buscamos disseminar, agrupar e postar os textos de forma que haja uma linha editorial coerente. Na primeira semana, divulgamos o texto escrito pela Ludmila Pugliese (coordenadora do Pacto da Restauração da Mata Atlântica e doutoranda do NewFor) sobre o dia da Mata Atlântica; e da Marina Ricciardi (bolsista de iniciação científica) sobre a Semana do Meio Ambiente da ESALQ, edição online. Na segunda semana, após o minicurso de Redação Científica, o Ricardo Cesar (pós-doutor…

MapBiomas

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por Marcos Rosa*
O MapBiomas é uma iniciativa do SEEG/OC (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima) que tem como objetivo produzir o Mapeamento Anual da Cobertura e Uso da Terra do Brasil através de uma rede colaborativa com especialistas nos biomas, usos da terra, sensoriamento remoto, SIG e ciência da computação. A iniciativa utiliza processamento em nuvem, imagens Landsat e classificadores automatizados desenvolvidos e operados a partir da plataforma Google Earth Engine (Figura 1).
Figura 1 – Plataforma MapBiomas https://mapbiomas.org/
A Coleção 4.1 do Bioma Mata Atlântica revela que existem aproximadamente 28 milhões de hectares de formações florestais, o que corresponde à 25,5% da área do Bioma. Considerando as perdas por desmatamento e ganhos de recuperação florestal, a cobertura florestal tem mantido uma certa estabilidade nos últimos 30 anos (Figura 2).
Figura 2 – Histórico da cobertura e uso da terra de 1985 a 2018 do Bioma Mata Atlânt…

Por que as águas de março não fecham mais o verão?

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por Anani Morilha Zanini*
Noticiários, palestras, debates, aulas, relatórios, seja em qualquer forma de comunicação, o aquecimento global e as mudanças climáticas são sempre assuntos abordados pela população, principalmente suas causas e consequências, e mesmo com uma enxurrada de informação, muitas pessoas ainda não compreendem, e muitas vezes nem mesmo acreditam no que está acontecendo. O fato é que, a temperatura do planeta está aumentando, as chuvas de março não fecham mais o verão, não dá para confiar na previsão do tempo, e o homem é o principal responsável por esses acontecimentos.Mas vamos tentar resumir todo esse complexo processo chamado efeito estufa? O planeta Terra é envolto pela atmosfera, uma camada de gases. Parte da luz que a Terra recebe do Sol é refletida, porém a maioria dos raios consegue ultrapassar a atmosfera e atingir a superfície terrestre, sendo então refletida novamente com um comprimento de onda longo (radiação infravermelha). Uma vez refletida, essa radiaç…

Não subestime o poder das figuras do seu artigo

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por Vanessa Sontag*
Comecei a gostar de ler aos 30 anos de idade. Até então, repetia constantemente a frase: “Eu não gosto de ler”. Quando criança, tínhamos o dia de visita à biblioteca da escola, dia em que escolhíamos um livro para ler em casa. Ao chegar à biblioteca, eu corria e folheava vários livros em busca daquele que tivesse mais ilustrações e menos texto.Nesses últimos três meses de quarentena, li mais livros do que em todos os anos anteriores da minha vida! Tudo bem, talvez seja um exagero, mas o fato de descobrir a leitura agora me deixou muito feliz e estou tentando compensar o tempo perdido. Porém, confesso que ainda não consegui dar espaço aos livros de ficção pois prefiro assistir os filmes. Gosto de ver na tela os cenários, os figurinos e as expressões nos rostos dos atores ao ter que ler parágrafos de descrição. Pode ser que daqui alguns anos o início desse texto mude para “Comecei a gostar de ler FICÇÃO aos 40 anos de idade ao ler Harry Potter...”, enquanto isso, sigo…

Porque comunicamos ciência

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por Ricardo Gomes César* “Não basta estar certo, é preciso comunicar eficientemente”. Dita pelo pai do célebre astrofísico e comunicador Neil deGrasse Tyson, essa frase continua importante atualmente. Apesar de vivermos na maior taxa de educação superior formal e de acesso à informação da história humana, o negacionismo de conceitos básicos da ciência cresce – ou pelo menos se tornou mais evidente – nos últimos anos. Cientistas e profissionais com décadas de estudos e centenas de manuscritos publicados ainda lutam para informar o público das suas descobertas. Por outro lado, celebridades digitais e mensagens em massa nas redes sociais  - muitas vezes sem qualquer referência - podem alterar o mercados e governos. Basta observar o estrago das fake news nas nossas políticas públicas (e relação familiares).Mas afinal, como se comunica ciência? Mais importante ainda: o que é ciência?
A ciência é todo conhecimento adquirido através do método científico, baseado na formulação e teste sistemáti…

Semana do Meio Ambiente Online da ESALQ/USP

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por Marina Ricciardi Gomes*
    Em 1972 a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o dia 5 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente. Desde então a data é celebrada por diversas instituições ao redor do mundo que apoiam a causa ambiental e na ESALQ (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) não poderia ser diferente.    Todos os anos a Semana do Meio Ambiente é realizada no campus “Luiz de Queiroz” da USP, localizado em Piracicaba, promovida pelo Plano Diretor Socioambiental Participativo (PDS-LQ) e conta com participação de diversos grupos de extensão engajados na questão ambiental. Em 2020, devido à pandemia global do COVID-19 e sua consequente situação de isolamento social, a Semana do Meio Ambiente não foi organizada pelo Plano Diretor, visto que as aulas e atividades presenciais foram suspensas na ESALQ.    Tendo em vista essa conjuntura, o GADE (Grupo de Adequação Ambiental), GEPEM (Grupo de Estudos e Pesquisas em Ecologia e Manejo de Florestas Tropicais) e o GEPU…